Tuesday, May 1, 2007

Antonio Pessoa Art Gallery

Antonio Pessoa Art Gallery


De todos os modos e curiosamente,esta peculiar reserva em relação às galerias de arte,tem sido desde muito cedo no percurso artistico e profissional de António Pessoa,não de maneira nenhuma um contencioso
ou coisa que o valha,mas sim uma opção,ou melhor dizendo, uma reacção natural e espontânea,por um lado devido à típica lentidão e falta de dinamismo de muitissimas galerias de arte,contudo entendemos que
o que mais tem contribuido para este facto deve-se essencialmente à
verdadeira natureza do artista encaminhando-o desde a sua adolescência
para um modelo,digamos,talvez mais autónomo de gerir a sua carreira e consequentemente a sua vida privada e pessoal.
Segundo os inúmeros apontamentos biográficos de Mr.Jacob Kotsky
na elaboração do livro About Antonio Pessoa,é sabido que remontando aos seus tempos de Amsterdão,ainda com apenas dezasete anos de idade,o jovem artista já demonstrava os primeiros sintomas da sua
intuitiva apetência por trabalhar com intermediários,desta forma,digo eu,talvez sendo afinal de contas uma certa vantagem na medida em que este modus operandi seguramente lhe permitia usufruir de mais espaço anímico vital e tempo real para assim ir paulatinamente desenvolvendo a
técnica e o aprumo da sua já promissora coerência criativa.
Primeiro,Gerard Meerman toma nas suas mãos a gestão comercial das
primeiras obras de António Pessoa na Holanda,estamos a falar do inicio dos anos oitenta.Mais tarde Peter van Dijk interessa-se pela divulgação e venda dos trabalhos do artista português,neste caso não tanto por uma questão meramente económica mas essencialmente por motivos de cumplicidade legitima como se veio a revelar.O mesmo já não se pode dizer do americano Lee Roberts que escassos anos mais tarde viu na
obra de Pessoa uma boa oportunidade de realizar dinheiro facilmente.
Seja como for,o interessante desta análise é efectivamente concluirmos que desde uma tenra idade,António Pessoa parece ter encontrado neste modelo de trabalho de equipa a velocidade de acção
justamente adequada ao seu ritmo de produção e temperamento.
Este quase desinteresse e até indiferença por trabalhar com galerias de arte veio dez anos mais tarde a tomar proporções bastante mais acentuadas quando em finais dos anos oitenta e principio dos noventa,
António Pessoa pelas mãos de Ana Ferreira Mendes começa a expôr em hoteis e casinos até à altura em que conhece Alfredo Moreira,aquele que
viria a ser seu Marchante durante quase toda a última década do outro milénio.
Mais tarde,já residindo em Vigo,com Vicente Fernández Lago dá-se o mesmo fenómeno de Déjà Vu,tornando-se até aos dias de hoje o administrador da obra de António Pessoa em Portugal e norte de Espanha.
Apesar do facto de tanto Alfredo Moreira,então director da galeria Almacem na cidade do Porto como Vicente Fernández Lago,director e proprietário da galeria Trastevere em Vigo,possuirem estes espaços,
efectivamente galerias de arte,a forma como sempre trabalharam com António Pessoa obedecia a um quase modelo de exclusividade,chegando
Vicente Fernández mesmo ao ponto de ter Pessoa representado como Artista Único.
Com a posta em prática e em cena do Ciclo Zodiaco,já no novo milénio,
atingindo o seu nivel máximo em Barcelona 2004 com mais de um milhar de clientes,António Pessoa conquista de uma forma absoluta a sua
autonomia e total independência,naturalmente acentuando de um modo
mais radical a sua falta de motivação directa em ajustar a sua carreira às agendas frenéticas e superlotadas das galerias de arte espalhadas pelos cinco continentes.
Resumindo não restam contrapartidas de que o contraponto da situação tem o seu epicentro em meados dos noventa,quando,efectivamente e
sem a necessidade de complicadas equações matemáticas,António Pessoa recebe de braços abertos as oportunidades que a Divina Providência lhe entregou assim de bandeja e que o artista soube aproveitar obviamente com a capacidade laboral a que nos tem invariavelmente habituados e o talento inegável que,verdade seja dita,em vez de lhe ter subido à cabeça, transformou-se em produção,estudo contínuo e uma especie de humildade que só os grandes homens sabem vestir sem que corram o risco de parecer mediocres arrogantes disfarçados de falsa modéstia.
António Pessoa,por assim dizer,em meados dos anos noventa sente-se nas suas sete quintas nesta situação de autonomia,na qual pode-se dar ao luxo de dedicar-se de corpo e alma às artes plásticas sem qualquer
tipo de interrupções e contratempos dignos de que sejam suficientemente
relevantes ao ponto de termos que os mencionar.
Naturalmente que o preço que teve que pagar foi um especial atraso na
consagração de uma certa popularidade e reputação mundial,facto este
no entanto atenuado por uma situação financeira ,diga-se de passagem,muito pouco comum num jovem músico e excelente pianista
recém-chegado ao mundo das artes.
Nesta situação de autonomia em que tanto Alfredo Moreira do Porto como Vicente Fernández Lago de Vigo tiveram o papel de mecenas,
marchante,relações públicas e administradores da obra,António Pessoa
não deixa o destino ao sabor da vontade dos Deuses e inventa ou adapta
à sua própria maneira um método criativo-laboral,que ele mesmo entitula
Acção Directa Total.
É pois em plenos anos noventa que o jovem artista usufruindo do consistente e subsistente apoio de dois mecenas que nele sabiamente
apostam,nesta tranquila atmosfera de plena autonomia e num mega-estudio que fica na História como Atlantis;que António Pessoa entra, de
pincel na mão e a tela no cavalete,na mais produtiva odisseia desde os
mestres do Renascimento,Pablo Picasso e mesmo Dali.
Esta epopeia de versões e invenções plásticas,segundo o método Acção Directa Total,acaba por ser internacionalmente conhecida como
"The Romantic Period" , A Época Romântica,1997-2002.
António Pessoa,reconhece,sabe e admite que nenhum de todos estes privilégios teriam sido possiveis se tivesse optado por um tipo de mercado,digamos,mais ortodoxo,mais caprichoso,mais lento,pseudo-
intelectual e muito possivelmente o derradeiro golpe de misericórdia na
sua alucinante evolução através do universo Ibérico da arte contemporânea.




Luis Santiago

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