Tuesday, May 1, 2007

Ponto Final

www . antoniopessoa . final


António Pessoa,uma personalidade estranha e imprevisivel,tanto na obra como na vida pessoal,engana o público,os colaboradores e até os amigos intimos,sem querer e sem se aperceber de que a organização que ele próprio ajudou a criar,depende a todo o momento e a cada instante do seu bioritmo,da sua persistente vontade e como não há bela sem senão,
igualmente da sua frequente oscilação de humor e até do sentido da sua própria vida.
Não pretendendo eu abusar do cliché de que os artistas são todos gente dificil,convém desde já salientar que António Pessoa decididamente não é nem penso que algum dia venha a ser, a excepção que foge à regra.
Se lhe atribuimos e com determinante razão as muitas qualidades que
tem e que sistematicamente prova que tem,é de nossa e neste caso de minha justiça pelo menos de vez em quando tentar que o artista seja oportunamente mencionado para dar a mão à palmatória.
Começo a suspeitar de que o conceito e toda a alma de Home Studio é
acima de tudo o grande pretexto que António Pessoa subconscientemente concebeu para fugir às responsabilidades,e de uma
forma muito razoavelmente particular aqui neste caso especifico,tendo em
conta o leque de colaboradores e profissionais que dependem do estado de espirito do menino e de algumas atitudes absolutamente caprichosas
que realmente sustentam a teoria de que ninguém é perfeito e muito menos António Pessoa,que eu abraço e admiro,porém não posso deixar que algumas verdades venham à superficie e até faço questão de que isso aconteça.
Todos sabemos de que há dias e dias como também se diz que um dia não é dia,porém quando os dias se seguem como dias em que pensamos
que é hora de avançar,António Pessoa recolhe-se no seu Paraiso extra-terrestre e não dando luz verde para adiar também não demonstra grande
urgência em dar luz verde para que o projecto Worldwide comece a dar
sinais de movimento,já para não falar de Feedback.
Uma equação humana feita à medida do Renascimento?Penso que não seja para tanto.Contudo uma equação metafisica às vezes bastante complicada de desvendar,talento misturado com preguiça,uma capacidade laboral coexistindo com uma indole sedentária de fazer roer as unhas e bradar aos céus.
O capitulo mais ou menos compreensivel de toda esta equação de boas razões e muitas contradições,deve-se ao facto de António Pessoa desde já hà uns anos a esta data,ter vindo claramente a manifestar o tédio que
lhe provocam as grandes urbes como também os lentos protocolos das galerias de arte.É natural e até perdoável que o artista ciclicamente opte
por uma letargia semi-tropical,levantando-se a meio da tarde para um lanche que afinal é o pequeno almoço,um pouco de trabalho,enfim,um esboço...que mesmo desenho "à la minute" temos forçosamente de
admitir que o talento está patente mesmo num bocejante sarrabisco de
efémera inspiração do momento,um banho de sol de dez minutos e uma
noite de espontânea satisfação dos desejos...
Worldwide-Antonio Pessoa pode esperar,ao artista pelos vistos que
grande diferença lhe faz,a raposa velha parece já não alimentar ilusões
inspiradas em fama e popularidade.Conhece-lhe os truques e os contra golpes,a pressão,a má lingua,a tensão e o pior de tudo a incómoda responsabilidade de ter de deslocar-se,o ruido,a confusão e as longas
esperas e momentos mortos.
O lado pouco atraente e muito pouco social de um artista instalado no
seu próprio conceito de estilo de vida.Mas António Pessoa,apesar de tudo
grande respeitador da liberdade de expressão,sabe perfeitamente que
todos os seus actos são prematuramente avaliados pelos seus amigos e colaboradores,muitissimo mais que a sua obra que parece agradar a todos...as suas oscilações emocionais deixam muito a desejar e sobretudo quando existe um dificil e ambicioso projecto para levar a cabo,
um projecto afinal de contas de sua inteira responsabilidade.
Ponto e virgula,
www. antoniopessoa.final felizmente não acontece todos os dias,ainda que estas ciclicas bonanças de temperatura emocional muito frequentemente arrastam-se durante semanas,quando tudo parece entrar
num estado de doce e suave apatia geral como a suave brisa de Ibiza ou
Barcelona outonal.
Agora digo eu quase que em jeito de troça,quem sabe quando venha a Lua Cheia,Worldwide- Antonio Pessoa retome a sua energia inicial.
Uma coisa é mais que certa,António Pessoa não é menino para fugir com o rabo à seringa e esta teoria está mais que comprovada.Há dias e dias e ponto final.Worldwide-Antonio Pessoa é um motor turbo que não
tem a opção de fazer marcha atrás.Resignadamente há que admitir que há dias em que com o artista temos que ser pacientes,já que a sua força vital
consagrou-se com tal credibilidade a tal ponto em que todos estamos seguros e conscientes de que tudo se resume a um imprevisivel e
artistico fluxo emocional.
Não pintando tão intensa e freneticamente como nos anos noventa,não com aquele sentido militante de cortar a respiração,como nos relata
Vicente Fernández,Jacob Kotsky e David Santos,e que deu origem a uma
monumental colecção de óleos sobre tela,acrilicos,aguarelas,técnicas mistas e desenhos,hoje conecida como a Época Romântica...António
Pessoa no entanto, hoje compensa esta drástica diferença numérica de produção,com um outro "savoir-faire" técnico e puramente conceptual,
o selo e a marca da New Era,a possibilidade ainda não esgotada depois
da exaustiva epopeia plástica dos anos noventa.
Por conseguinte é justamente mais que natural que o seu ritmo emocional tenha sofrido relevantes alterações e logicamente o seu comportamento privado e social também por igual.O Ponto Final é por
assim dizer um registro meramente passageiro já que parece que todos sabemos de antemão que este artista português,vivendo em Espanha
ou onde quer que esteja em algum devido momento;e que prova e comprova sistemática e quotidianamente um inovador e avançado conceito visual de pura literatura plástica,na qual acaba por tornar-se objectivamente palpável uma visão erudita do mundo em que vivemos,
independentemente do quase malicioso toque de pueril infantilidade que
mais do que comover,atenua aquela que às vezes acaba por ser uma realidade demasiado dura para assimilar.
Ponto Final !







Luis Santiago

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