Wednesday, May 2, 2007

Preto no Branco

Preto no Branco

Enquanto Worldwide-António Pessoa,um projecto que realmente promete agrupar toda uma série de ingredientes de interesse geral e como
não podia deixar de ser,não poupando esforços no sentido de garantir
uma análise objectiva e profunda segundo um exigente critério de qualidade,por muito peculiar e até pouco erudito que pareça promete
igualmente seguir uma empolgante história quase em jeito de saga,digna
de uma mega-produção de Hollywood.
E aqui surge naturalmente a velha questão,aliás perfeitamente lícita e
razoável.E porquê?
Muito bem.Porque pura e simplesmente a própria natureza do artista,
aliás como têem vindo a comprovar todos os trabalhos biográficos sobre
a sua vida e obra,sendo Mr.Jacob Kotsky indiscutivelmente o grande
pioneiro nesta matéria,como se tem vindo a verificar desde a sua loquaz
participação literária no catálogo La Época Romántica de Antonio Pessoa,
com a esmerada tradução do inglês ao castelhano por Pierre Fontanals;
a própria natureza do artista,dizia eu,de uma forma tão natural,espontânea
e inevitável como o generalizado conceito do destino,tem-se responsabilizado por conduzi-lo desde tenra idade até aos dias de hoje,
a situações perfeitamente cinemáticas,justamente tão envoltas num enredo de sedução,arte,aventuras,sexo,drama e mistério como os grandes clássicos do cinema que todos nós conhecemos e com os quais
partilhamos de alguma maneira emoções,inquietações,entretenimento e
até informação,cultura e conhecimento universal.
A estreita amizade e cumplicidade que se gerou entre o artista e Jacob Kotsky a partir de finais da década de noventa,fez progressivamente com
que António Pessoa se disponibilizasse ao longo destes últimos anos a revelar confessáveis e até inconfessáveis episódios da sua vida,os quais
Jacob Kotsky começou,continuou e continua a recompilar,com notável
dedicação e cuidadoso sentido de análise,efeito e causa,tanto a obra
como as aventuras e desventuras da vida do artista,todo um fascinante
conjunto de situações e circunstâncias as quais obviamente acabam por
ser um sólido manual de consulta e reflexão,para todos os interessados
em entender as oscilações temáticas,os cambios drásticos de expressão plástica,elementos estes que são sempre e obrigatóriamente o espelho
mais absoluto e credivel da vida intima e pessoal do artista.
Neste sentido,Jacob Kotsky tem tido um papel predominante na análise
e divulgação da verdadeira essência humana de António Pessoa,bastante mais além do pigmento sobre a tela,bastante mais nua e crua do que o
próprio artista esperava e até desejaria que tivesse sido,um trabalho
sem pompa nem circunstância na precisa e justa medida de hiper-realismo a que nos tem habituado,sem olhar a meios nem entrando em devaneios com o simples,directo propósito e única finalidade de atingir um e apenas um resultado.A verdade!
A partir do momento em que António Pessoa se instala em Barcelona,2002,e muito especificamente após a publicação do catálogo La Época Romántica,Jacob Kotsky passa a ser um primordial e imprescindivel ponto de referência no que respeita a um conhecimento cada vez mais amplo como profundo da vida e obra do artista português.
Fazendo o ponto exacto desta realidade é conveniente salientar que
António Pessoa por razões mais que obvias reserva a Jacob Kotsky um lugar privilegiado dentro do seu circulo de amigos,o que me leva facilmente a deduzir que o trabalho biográfico de Kotsky tem vindo a ser
cada vez mais um acto de pesquisa sumamente agradável e fácil de desenvolver.O próprio espirito aberto do artista revela-se como um livro aberto,facto que felizmente em vez de condicionar uma tarefa substancialmente dificil,faz com que todo este processo de recompilação biográfica se realize com uma fluidez particularmente estimulante o que
tem decididamente não só proporcionado a Jacob Kotsky uma fonte de
informação disponivel a todo o momento como feito com que todos estes
interessantes documentos sobre a sua vida e obra tenham chegado a um público erudito com a devida pontualidade,consistência e seriedade.
Hoje,agora e com o arranque do imprescindivel projecto Worldwide,em
que António Pessoa insiste e persiste na indiscutivel questão de que
a lingua de Camões seja desta vez se não uma predominante pelo menos
tão presente como o castelhano ou inglês em tudo o que se diz e prediz
sobre a sua obra e até sobre muitos aspectos da sua vida pessoal,Jacob
Kotsky,surge mais do que nunca como o epicentro de toda a credibilidade
que só o estudo e o conhecimento profundo sobre determinada matéria pode efectivamente fornecer.
Por conseguinte tudo o que de bom ou menos bom possa acontecer no futuro na vida e carreira artistica de António Pessoa,forçosamente será
sobretudo um eco da verdadeira natureza e personalidade do artista,onde
obviamente a sua vida e obra do passado mais ausente ou mais recente,
é fundamentalmente o ponto de apoio pelo qual teremos de nos orientar
de forma a definir uma avaliação e análise correctas,justamente tanto por
uma retrospectiva necessariamente biográfica como utilizando a mesma
fonte de maneira a que todos possam entender os códigos plásticos e
os actos sociais da vida e obra do artista a curto,médio e longo prazo.
Esperando e fazendo votos de que Worldwide-António Pessoa seja um
bonito e fascinante projecto para muitos e longos anos,tudo parece estar
estipulado para que este jogo de Arte e Comunicação não seja violado por
estigmas como a pressa ou a ansiedade,mas sim pelo contrário que seja
um omnipresente emblema de espiritualidade,paz,tranquilidade,invenção,
diálogo e discernimento global.
Neste sentido e neste objectivo penso que todos estamos de acordo e
intrinsecamente unânimes em explicitar uma mensagem nova e positiva,
oportunamente uma alternativa mais a um mundo que nem sempre nos
mostra uma perspectiva nem luminosa nem especialmente brilhante.
E como não só com cores e formas se faz Arte e Comunicação,o preto
no branco aqui estará para o que der e vier,na certeza porém de que uma
informação de qualidade é muito provavelmente o melhor que se pode oferecer a um público interessado e culto que sabe,reconhece e admite que Arte é uma expressão muito mais profunda e complexa do que possa
visualmente apenas aparentar.
A satisfação da tarefa e da responsabilidade de fazermos chegar a arte
proporcional à própria vida é a melhor forma de partilhar um projecto que
desconhece fronteiras,cores de pele,opções religiosas,politicas,status
sociais e apetências pessoais.É justamente neste contexto de união sem
olhar a diferenças,mas sim fazendo das diferenças o contraponto e o bonito do diálogo e união,que Worldwide-António Pessoa se inspira e
respira,sem esquemas nem camuflagens,unicamente existindo pela simples felicidade de existir,contudo consciente da autenticidade e até
da importância de um estilo de Arte e Comunicação que bem ao Mundo só pode trazer!








Luis Santiago

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